📰 terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
⏱️ Leitura: 7min e 7seg

BOM DIA ☕

Ontem, 54 pessoas que você não conhece se reuniram virtualmente pela primeira vez. Eles não decidiram o preço do seu café, mas vão controlar R$ 1,5 trilhão por ano. É o Comitê Gestor do IBS, o novo "dono" do imposto no Brasil. A reunião foi para discutir o regimento interno. Tradução: combinar as regras do jogo antes de apitar o início.

Enquanto isso, do outro lado do hemisfério, os EUA efetivamente fecharam as portas para 25% dos produtos que compravam do Brasil em janeiro. Uma queda de US$ 820 milhões em 30 dias. O protecionismo de Trump não é mais discurso, é planilha de prejuízo.

2026 é o ano em que o jogo é jogado em duas salas: uma, visível, onde a economia real acontece. Outra, invisível, onde as regras que definem seu lucro são escritas. A maioria só está assistindo à primeira.

Enche a caneca ☕. Vamos para a sala dos fundos.

⚡ DIRETO AO PONTO

📖 PARA LER: A pauta completa do STJ para esta semana, incluindo a discussão sobre o teto de 20 salários mínimos para contribuições a terceiros (Tema 1.390). No Valor Econômico.

🎧 PARA OUVIR: A ata do Copom revelou: a porta para o corte da Selic em março está aberta. Entenda o que isso significa para seus investimentos e para o custo do crédito. Podcast no Jota.

📊 PARA ANALISAR: O Boletim Focus desta semana mostra a inflação (IPCA) caindo pela 5ª vez seguida, mas o crescimento do PIB estacionado em 1,8%. Dados na XP Investimentos.

⚖️ PARA ENTENDER: A íntegra da Nota Técnica 007/2026, que altera o layout da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) para se adequar ao IBS/CBS. Direto no portal do governo.

🔥 O QUE ESTÁ PEGANDO FOGO?

O governo montou o time. E você não foi convidado para a festa.

Ontem, dia 9 de fevereiro, o Comitê Gestor do IBS teve sua primeira reunião. Esse é o órgão que vai mandar na arrecadação, fiscalização e distribuição do novo imposto que unifica ICMS e ISS. Estamos falando de um poder que vai administrar um orçamento anual de até R$ 1,5 trilhão.

Enquanto você se preocupa com o fluxo de caixa do mês, 54 representantes de estados e municípios começaram a definir as regras operacionais que vão impactar sua empresa pelos próximos 30 anos. A pauta oficial foi a escolha do vice-presidente e a discussão do regimento interno. A pauta real é a consolidação do poder.

Por que isso importa AGORA:

1.Centralização é poder: O Comitê Gestor é o fim da autonomia dos fiscos estaduais e municipais como conhecemos. Para o contribuinte, isso pode significar menos interlocutores, mas também um poder de fiscalização muito mais concentrado e eficiente. Um Big Brother fiscal com mandato para olhar tudo.

2.Regras do jogo: O regimento interno vai definir como o Comitê opera, como as decisões são tomadas e como os conflitos entre entes federativos serão resolvidos. Qualquer brecha ou viés nessas regras pode gerar insegurança jurídica ou favorecer um estado em detrimento de outro, afetando a competitividade do seu negócio.

3.Velocidade da máquina: A velocidade com que esse comitê se estrutura e começa a operar ditará o ritmo da implementação da Reforma. Se eles forem rápidos, a pressão sobre a adaptação dos seus sistemas (ERP) e processos será ainda maior.

O que fazer AGORA:

Mapeie a representação: Quem representa seu estado e sua cidade nesse comitê? Entenda o perfil e as pautas que eles defendem. A briga política agora é lá dentro, e vai definir o ambiente de negócios aqui fora.

Pressione suas entidades de classe: FIESP, CNI, associações comerciais. Elas precisam atuar como lobby para garantir que as regras criadas pelo Comitê sejam razoáveis e não sufoquem as empresas. O silêncio agora custará caro depois.

Foque no seu dever de casa: O Comitê está andando. E seu sistema? A adaptação à alíquota de teste de 1% já deveria estar rodando. Se não está, você já está para trás.

📡 NO RADAR

🔴 URGENTE: Seu cliente nos EUA sumiu? Exportações caem 25,5%

Os números de janeiro são um banho de água fria. As exportações do Brasil para os Estados Unidos despencaram 25,5% em comparação com o mesmo mês de 2025. É o sexto mês seguido de queda. O motivo tem nome e sobrenome: Donald Trump. A sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros está tornando nosso produto inviável lá fora. O resultado é um déficit de US$ 670 milhões em apenas um mês. Enquanto isso, as vendas para a China cresceram 17,4%. O mapa do comércio global está sendo redesenhado à força. Se sua estratégia de exportação ainda aposta todas as fichas nos EUA, é hora de acordar.

🟡 ATENÇÃO: Sua nota fiscal de serviço vai mudar (de novo)

A Receita Federal publicou, no dia 7 de fevereiro, a Nota Técnica 007/2026. Ela detalha novas alterações no layout da NFS-e para se adequar à apuração do IBS e da CBS. A mudança mais crítica: os campos para informar PIS e COFINS agora devem ser usados apenas para os débitos da operação, não para os valores retidos. A retenção ganhou campos próprios. Parece detalhe técnico, mas um erro aqui pode levar à apuração errada dos novos tributos e gerar um passivo fiscal silencioso. É o governo ajustando a mira antes de começar a atirar. Seu time de TI e seu contador precisam ler isso para ontem.

🟢 MONITORAR: O corte da Selic vem aí?

A ata da última reunião do Copom, divulgada no dia 3 de fevereiro, foi clara: o Banco Central está pronto para começar a cortar a taxa Selic na próxima reunião, em março. O mercado já aposta em uma queda de 0,5 ponto percentual, levando a taxa para 14,5% ao ano. Para as empresas, isso significa crédito mais barato para financiar investimentos e capital de giro. Mas a cautela continua. As projeções de inflação para 2027 e 2028 ainda estão acima da meta, o que limita o espaço para cortes agressivos. É um alívio, mas ainda não é a festa do crédito farto.

☕ NA MINHA MESA

"Dr., é verdade que a Receita vai preencher minha declaração sozinha?"

Cliente na linha, quarta-feira. Dono de uma distribuidora, R$ 80 milhões/ano. Tinha acabado de ler a notícia sobre a fala do Secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.

"É o que ele prometeu", respondi. "Chamam de 'apuração assistida'. A ideia é que, com o split payment e todas as notas fiscais digitalizadas, o sistema do governo já saiba exatamente quanto você faturou e quanto deve de imposto."

Ele ficou em silêncio por um instante. "Então meu contador não vai mais precisar fazer nada? É só dar 'enter'?"

"É aí que mora o perigo", eu disse. "A máquina vai te dar o resultado pronto. Mas quem vai dizer se a máquina está certa? Quem vai conferir se o sistema classificou uma operação isenta como tributada? Quem vai brigar por um crédito que o sistema não reconheceu?"

O entusiasmo dele diminuiu. "Entendi. O Fisco me entrega a conta pronta, e se tiver erro, o problema é meu de provar."

Exato. A automação vai eliminar o trabalho braçal de preencher formulários. Mas vai exigir um trabalho intelectual muito mais sofisticado de auditoria e estratégia.

Moral da história: A declaração pré-preenchida não é o fim do trabalho, é a evolução dele. A responsabilidade final sobre os dados sempre será sua. E a Receita Federal não costuma errar a favor do contribuinte.

Sua empresa está preparada para auditar o Fisco? Responda este e-mail.

VOCÊ ESTÁ PRECISANDO DE UMA CONTABILIDADE DE CONFIANÇA?

Se você leu essa newsletter até aqui, já sabe: o jogo não para de mudar e você precisa de uma contabilidade de confiança a seu lado.

A Rebechi & Silva Contabilidade não é apenas mais uma contabilidade. Ela Entrega conformidade + estratégia. Porque não adianta a guia estar em dia se você tá pagando mais imposto do que deveria.

Quer conhecer um pouco mais sobre sua operação? Clique no link abaixo👇🏼

🎯 DESAFIO DA SEMANA

RESPOSTA DO ANTERIOR: Fornecedor de ERP adiando a adequação. A decisão mais estratégica era b) Notificar extrajudicialmente + pesquisar alternativas. Confiar não é estratégia. Planilhas geram mais risco. E a responsabilidade não é (só) do contador.

NOVO DESAFIO:

A Nota Técnica 007/2026 mudou as regras de preenchimento da NFS-e. Seu fornecedor de software diz que a atualização só estará disponível em 60 dias, mas a regra já está valendo. Qual a atitude mais segura?

a) Esperar os 60 dias, já que 2026 é ano de teste.

b) Fazer o ajuste manualmente em cada nota fiscal emitida.

c) Notificar o fornecedor e exigir um plano de contingência imediato para tratar as retenções corretamente.

d) Suspender a emissão de notas de serviço até o sistema ser atualizado.

Resposta e análise na próxima edição.

🌐 ALÉM DO IMPOSTO

A corrida de US$ 600 bilhões da Inteligência Artificial.

Se você achou que a onda da IA ia passar, pense de novo. Só na primeira semana de fevereiro, a Alphabet (dona do Google) anunciou que vai praticamente dobrar seus investimentos em IA para quase US$ 185 bilhões em 2026. O motivo? O sucesso do Gemini 3, seu modelo para empresas, que já vendeu 8 milhões de licenças.

Somando todas as big techs, a projeção de investimento em IA para este ano chega a US$ 600 bilhões. Esse dinheiro todo não está indo para chatbots que escrevem poemas. Está indo para infraestrutura, data centers e, principalmente, para o desenvolvimento de agentes autônomos – IAs que executam tarefas e tomam decisões.

Para o middle market, isso significa duas coisas: primeiro, ferramentas de IA absurdamente poderosas se tornarão mais baratas e acessíveis. Segundo, seus concorrentes (e seus clientes) vão começar a usá-las para otimizar tudo, de logística a vendas. A barreira de entrada não é mais o dinheiro, é o conhecimento.

📊 O NÚMERO DA SEMANA

R$ 1,5 trilhão

É a arrecadação anual que o novo Comitê Gestor do IBS vai administrar. Um poder de fogo equivalente ao PIB da Suíça, concentrado nas mãos de 54 pessoas. Você sabe quem são elas?

💭 PARA REFLEXÃO

O governo está construindo a máquina. As big techs estão construindo a inteligência. E você, está construindo o quê? Uma empresa que se adapta ou uma que assiste?

Até a próxima. Mantenha a caneca quente ☕

Alexandre Silva
CEO & Tax Strategist @ Rebechi & Silva Advogados Associados | Especialista Reforma Tributária | 380M+ Economizados | 1500+ Empresas atendidas | Autor Best-Seller

TribuTalks | Transformando Complexidade Tributária em Decisão Estratégica

Observação: essa newsletter é informativa e não substitui análise técnica do seu caso. Decisões tributárias exigem consultoria especializada.

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