📰 terça-feira, 24 de março de 2026
⏱️ Leitura: 7min e 7seg
BOM DIA ☕
Quinta-feira passada, o mercado financeiro tomou um susto que não estava no script.
Enquanto todo mundo olhava para o Oriente Médio tentando adivinhar o preço do petróleo amanhã, o dono da chave do cofre aqui no Brasil arrumou as malas. Fernando Haddad deixou o Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo.
No lugar dele? Dario Durigan, o "número 2", assumiu a cadeira mais quente da Esplanada.
Lula foi direto no recado: "Olhem bem para a cara dele. É dele que vocês vão cobrar muitas coisas". Que gentil apresentar o novo cobrador assim.
Trocar o comando da economia no meio de uma guerra global que já fez o diesel subir 20% no Brasil não é para amadores. O PIB está aquecido, mas a piora fiscal é um fantasma que não sai da sala.
A incerteza lá fora encontrou a transição aqui dentro. E no meio disso tudo, o seu caixa.
Enche a caneca ☕. O jogo virou de novo.
🔥 O QUE ESTÁ PEGANDO FOGO
O dono da chave do cofre mudou (e o que isso importa para você)
A saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda não é apenas movimentação política. É uma mudança de sinalização para o mercado e para o seu negócio.
Dario Durigan assumiu prometendo "continuidade do trabalho de consolidação fiscal". Tradução: ele vai ter que provar que consegue dizer "não" para as pressões de gastos em ano eleitoral. Promessa em Brasília, você sabe como funciona.
O cenário que ele herda é um barril de pólvora: guerra no Irã pressionando combustíveis, inflação resistente e uma Reforma Tributária no meio da implementação mais crítica. A transição de comando gera volatilidade imediata no câmbio e nos juros futuros. Se a sua empresa depende de insumos importados ou precisa rolar dívida nos próximos meses, o custo do dinheiro acabou de ficar mais incerto.
Com o caixa do governo apertado e um novo ministro precisando mostrar serviço, a fiscalização vai apertar. A Receita Federal não vai dar trégua.
A economia não espera a política se arrumar.
📡 NO RADAR
🔴 A janela do imposto sobre herança está fechando
A Reforma Tributária tornou obrigatória a progressividade do ITCMD. Em estados como São Paulo e Paraná, que hoje têm alíquota fixa de 4%, o imposto pode simplesmente dobrar, chegando a 8%. E pior: a base de cálculo passa a ser o valor de mercado, não mais o valor venal. Aquele imóvel que "vale" R$ 200 mil no IPTU mas R$ 800 mil no mercado? Adivinha qual valor o estado vai usar. Se os estados aprovarem as leis ainda em 2026, a nova conta começa em 2027. Quem esperar vai pagar o dobro. Literalmente.
🟡 Selic caiu. Não comemore ainda.
O Banco Central reduziu a Selic para 14,75%. Primeiro corte em quase dois anos. Mas o Copom não sinalizou novos cortes. Com guerra no Irã, petróleo instável e transição na Fazenda, os bancos vão precificar incerteza nas suas linhas de crédito. Se você precisa rolar dívida ou captar nos próximos meses, trave agora. O "pouquinho" pode virar "mais caro". Mas pelo menos caiu, né? Consolo de pobre.
🟢 Diesel: a guerra que já chegou na sua nota fiscal
Desde o início do conflito no Irã, o diesel subiu 20,4% nas bombas, batendo R$ 7,26 na média nacional (dados ANP). A trégua de 5 dias anunciada por Trump fez o Brent despencar 10% na segunda, mas a volatilidade veio para ficar. Se o seu negócio depende de logística e transporte, esse custo extra já corroeu a margem do seu trimestre. E ninguém sabe quanto tempo dura.
🛡️ Você acabou de ler sobre troca de ministro, diesel a R$ 7,26, Selic incerta e ITCMD dobrando.
Agora a pergunta que importa: quem na sua empresa está olhando para tudo isso ao mesmo tempo?
A Rebechi & Silva Contabilidade não é um escritório que entrega guia e balancete. É o braço estratégico que conecta contabilidade, tributação e decisão de negócio numa mesa só.
Diagnóstico tributário. Simulação de cenários. Planejamento sucessório. Reestruturação societária. Tudo integrado com o jurídico do escritório que escreve esta newsletter.
Enquanto sua contabilidade atual te entrega o passado em PDF, a gente te entrega o futuro em estratégia.
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🎯 DESAFIO DA SEMANA
Resposta do desafio anterior:
Na semana passada, perguntamos sobre o impacto da zeragem do PIS/Cofins sobre o diesel na apuração de uma transportadora no Lucro Real.
Resposta correta: Letra B. Perda temporária dos créditos de PIS/Cofins sobre compras de diesel enquanto as alíquotas estiverem zeradas, pois não há tributo na entrada para gerar crédito.
Por quê?
a) ❌ Nenhum impacto. Errado. A zeragem das alíquotas na entrada elimina a base de creditamento. Créditos anteriores já escriturados estão preservados, mas novas compras durante a vigência do decreto não geram crédito novo.
b) ✅ Perda temporária dos créditos. No regime não cumulativo, o crédito de PIS/Cofins é calculado sobre o valor do tributo incidente na aquisição. Se a alíquota na entrada é zero, o crédito é zero. Simples assim. Enquanto durar o Decreto 12.875/2026, sua transportadora compra diesel sem PIS/Cofins na nota. Resultado: débito na saída continua existindo sobre o frete, mas o crédito sobre o principal insumo (diesel) desaparece temporariamente. O impacto no caixa pode ser significativo dependendo do peso do diesel na sua operação.
c) ❌ Aumento dos créditos acumulados. Confusão perigosa. A zeragem reduz créditos, não aumenta. Outros insumos continuam gerando crédito, mas o diesel (que costuma ser o maior) zera.
d) ❌ Subvenção substitui o tributo para creditamento. A subvenção de R$ 0,32/litro da MP 1.340/2026 é um subsídio ao produtor/importador. Não é tributo, não gera crédito de PIS/Cofins para o comprador final. Quem apostou nessa saiu no prejuízo.
A conta que importa: Se o diesel representa 30% do custo da sua transportadora e a alíquota combinada de PIS/Cofins era 9,25%, você acaba de perder 2,78% do valor de cada litro em créditos. Multiplique pelo consumo mensal. Dói.
Novo Desafio 🧠
Com a aprovação da obrigatoriedade da progressividade do ITCMD pela Reforma Tributária, um empresário residente no Paraná (estado que atualmente possui alíquota fixa de 4%) decide realizar a doação de 100% das cotas de sua holding familiar para seus herdeiros. Para garantir que a doação seja tributada pelas regras atuais (alíquota fixa e base de cálculo antiga), qual é o prazo limite seguro que ele deve considerar, assumindo que a Assembleia Legislativa do PR aprove a nova lei estadual de progressividade em novembro de 2026?
a) Ele tem até 31 de dezembro de 2027, pois a Reforma Tributária deu um prazo de transição de dois anos para o ITCMD.
b) Ele deve concluir a doação até 31 de dezembro de 2026, antes que a nova lei estadual entre em vigor no ano seguinte, respeitando o princípio da anterioridade.
c) A doação já será tributada pelas novas regras, pois a Emenda Constitucional da Reforma tem aplicação imediata sobre os estados.
d) Ele pode fazer a doação a qualquer momento, pois doações em vida são isentas da nova regra de progressividade, que se aplica apenas a inventários (causa mortis).
Resposta na próxima edição.
☕ NA MINHA MESA
"Dr. Alexandre, não posso esperar mais nenhum dia."
Essa foi a frase de um cliente na quinta-feira. Dono de uma distribuidora no interior de São Paulo, ele nos procurou há meses para fazer o planejamento tributário. Na época, disse que ia "aguardar um pouco". Queria ver como as coisas iam se acomodar.
Nós já tínhamos oferecido. Ele já sabia que precisava. Mas preferiu esperar.
Aí veio a guerra. O estreito de Ormuz fechou. O diesel disparou 20% em semanas. Para uma distribuidora, diesel não é custo. É oxigênio. Cada centavo a mais no litro comprime a margem que já era apertada.
Na quinta, ele ligou às 8h da manhã: "Aquele planejamento tributário que vocês ofereceram. Preciso para ontem."
Sentamos juntos na sexta. Já no contencioso dele (que a gente cuida há anos) encontramos créditos tributários que ele nem sabia que existiam. No planejamento, identificamos uma reestruturação que pode reduzir a carga efetiva em pontos percentuais. Em uma operação do porte dele, isso é a diferença entre fechar o trimestre no vermelho ou no azul.
Ele assinou o contrato de planejamento na mesma reunião.
Moral da história: o melhor momento para fazer planejamento tributário é antes da crise. O segundo melhor é agora. O pior é "quando as coisas se acalmarem". Porque elas não se acalmam.
Sua empresa está esperando o quê para revisar a estrutura tributária? Ligue para a sua secretária e agende com seu tributarista esta semana.
📊 O NÚMERO DA SEMANA
20,4%
Essa foi a alta do preço do diesel nos postos brasileiros desde o início da guerra no Irã, segundo a ANP. O impacto logístico já bateu na porta das indústrias, do agronegócio e das distribuidoras. Você já repassou esse custo ou está absorvendo o prejuízo? Porque a sua margem não vai esperar a geopolítica se resolver.
🌐 ALÉM DO IMPOSTO
R$ 13 bilhões em IA. E a maioria vai virar PowerPoint bonito.
O Brasil prevê investir R$ 13 bilhões em Inteligência Artificial para inovação empresarial em 2026. Duas em cada três empresas confiam na IA para reduzir custos e falhas. Bonito no relatório. Na prática, o alerta vermelho já acendeu.
Analistas apontam que a "bolha da IA" pode estourar este ano. O motivo? Muitas empresas estão comprando tecnologia sem saber como integrá-la ao modelo de negócio.
A Red Hat publicou um estudo cirúrgico: IA empresarial precisa de governança, dados limpos e estratégia para gerar ROI. Sem isso, é dinheiro queimado com etiqueta de inovação.
Comprar licença de IA generativa para a equipe fazer e-mail mais rápido é inovação. Comprar licença de IA generativa para a equipe fazer e-mail mais rápido é automação de rotina. Inovação é usar IA para prever quebra de estoque, antecipar litígios fiscais ou simular cenários tributários antes que a legislação mude.
De que lado da estatística sua empresa está?
💭 PARA REFLEXÃO
O ministro mudou. A Selic mexeu. O imposto sobre herança vai dobrar. E a guerra já encareceu seu frete.
Tudo isso em uma semana.
Você pode continuar decidindo na velocidade da planilha, mas o mundo está cobrando a conta na velocidade da política.
A diferença entre quem prospera e quem apaga incêndio não é sorte. É tempo de reação.
Até a próxima. Mantenha a caneca quente ☕ e o planejamento atualizado.
Alexandre Silva
CEO & Tax Strategist @ Rebechi & Silva Advogados Associados | Especialista Reforma Tributária | 380M+ Economizados | 1500+ Empresas atendidas | Autor Best-Seller
TribuTalks | Transformando Complexidade Tributária em Decisão Estratégica
Observação: essa newsletter é informativa e não substitui análise técnica do seu caso. Decisões tributárias exigem consultoria especializada.
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